Havia
um grande burburinho na rua. Sistólico e Diastólico saíram desembainhados pela
porta, tentando perceber o que se passava no centro de tanta agitação. Foram
avançando por entre a multidão, até deslumbrar alguém caído no chão. Era, nem
mais nem menos, a Liberdade estendida nas pedras frias da calçada. As opiniões
dividiam-se. Será que foi atropelada, terá perdido os sentidos. Desorientada no
tempo e no espaço, tinha a pele suada e pálida e, com um pulso filiforme,
exprimia finos gemidos em olhos semicerrados. Havia que organizar o povo, dar
espaço à vitima… pelo meio das pessoas, eis que surge a florista, emergida dos
seus afazeres por tamanha gritaria, que mantinha ainda no seu regaço um molho
de cravos. E foi esse perfume que penetrou nas narinas da Liberdade, servindo
este elixir olfactivo de tamanho despertar. Começou por reaver a sua cor rosada
e todo o seu esplendor e, num respirar fundo, encheu o pulso que se tornava
rítmico… Seria a liberdade capaz de se manter de boa saúde na longevidade da
memória…
Crónica VII
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