Sexo nu e cru


Sistólico e Diastólico sentiam o apelo mais primitivo do ser humano e não era sede nem fome. Aprontaram-se a folhear as páginas dos jornais onde se escarrapachavam atributos vistosos apelativos às suas ânsias. A escolha foi rápida tal era a determinação. A irmandade aprimorou-se; juntamente com as gravatas pendiam as suas línguas e, num ápice, estavam à porta da referida morada. Ao entrar, seus olhos arregalaram-se e a comissura labial pendeu-lhes, tamanha era a secura de um momento tão implorado. A sequência mais do que imediata da escolha promoveu o momento à divisão do quarto. À chegada, as pernas tremiam e os ossos rangiam, por cada vez que as suas parceiras denunciavam avantajados atributos. E eis que lhes foi anunciado o preçário e prévio pagamento. Diastólico, balbuciando, remeteu tal ato para o fim do serviço; Sistólico, mais confiante, informou que o seu preço era bem mais caro, mas que não fazia questão do troco. E, num ápice, os reais atributos avançaram nas suas direções, mas com propósitos temerosos e ameaçadores. A irmandade, numa sincronia atabalhoada, abortou tal situação e esgueirou-se em bom tempo pela janela correndo pela rua, debaixo de tamanha chuva de pragas. Confirmavam assim todas as associações entre o sexo e o desporto, não tivessem eles acabado com o coração em sobressalto e a respiração insistentemente ofegante.

     
Crónica XXVIII

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