Culpa a irmã da Crise

  
Sistólico e Diastólico decidiram registar a Crise. Esta, tão abandonada e negligenciada, merecia um sentimento paternal de amparo e estima. Depararam-se com um problema aquando do efetivo registo, embrulhados na indefinição do qual dos dois mantinha a posição materna, remoendo na indecisão de uma identidade afincada. A Crise que outrora sofrera de maus tratos e abusos,  amparada por tais decisões indefinidas, ia empanturrando o ego e aglutinando uma obesidade desmedida. Impotentes em alimentar tal monstro descontrolado, esgueiraram-se, numa fuga ininterrupta, para bem longe de qualquer acusação. A Crise ficou então à guarda da sua irmã mais velha, a Culpa; esta, já de idade avançada, haveria de morrer solteira.


Crónica XXVII

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