Entre os pingos da chuva


Sobre uma tremenda carga de água, enquanto Sistólico passava airosamente entre os pingos da chuva, Diastólico contornava habilidosamente as poças de água, indiferentes ao agonizar dos restantes transeuntes, desafiavam cinicamente tal intempérie. As nuvens estavam impiedosas e tornavam uma chuva áspera em dilúvio iminente. A persistência dos audazes não evitava uma molha até à junção dos ossos. A chuva não escolhe alvos, desfalece no seu decurso natural, mas a argumentação de uns encaixa na harmoniosa precaução de outros. O regelar dos sentidos não permite o embelezamento de um bailado natural da água. A chuva quando cai é para todos, mas nem todos se encharcam nela.

Crónica XXXVIII

Sem comentários:

Enviar um comentário