A irmandade farejava as ruas em busca de tais meliantes que fizeram diluir o bafo dos reais animais do presépio. Procuraram em cada gruta, vasculharam cada abrigo, perderam-se em muitos estábulos. A tarefa não parecia fácil; o assunto era resguardado por poucos e ignorado por muitos. Os muitos, pouco queriam saber, e os poucos, muito se refugiavam em malabarismos cúmplices de enredos políticos. Os poucos elitistas continuavam a pavonear o tempo das vacas gordas, alimentando desmesuradamente os seus refinados caprichos, enquanto recambiavam os desprezíveis muitos para o canto com as efémeras orelhas de burro. Nunca se deverá esquecer que haverá sempre o bafo, porque no fim de contas todos respiramos.
Crónica XXXVII
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