Portugal, Portugal


Como o Palma dizia: “Ai, Portugal, Portugal / De que é que tu estás à espera? / Tens um pé numa galera / E outro no fundo do mar / Ai, Portugal, Portugal / Enquanto ficares à espera / Ninguém te pode ajudar”. A irmandade tinha decidido confirmar a situação e, se por um lado, Sistólico tinha encontrado um dos pés com uma unha encravada nas velhas tábuas desmembradas da galera, Diastólico encontrara o outro pé cravejado de fungos, preso a redes abandonadas no fundo do mar. Ambas as situações estavam assombradas pela decadência, mantinham um crescente distanciamento entre elas, o que poderia não pôr os sinos a rebate, mas que de certeza, mais cedo ou mais tarde, faria retorcer o badalo.


  
Crónica XXI

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