Sistólico
e Diastólico enfrentavam uma crise de identidade, espelhada numa angústia
geracional. Decidiram procurar o causador de tal infortúnio, o seu verdadeiro pai.
Arquitetaram uma estratégia e, como não poderiam passar pelas finanças, na qual
já eram procurados, decidiram visitar a igreja mais próxima na perspetiva de
encontrar um registo de batismo. Ao se acercarem do edifício e entrando com
algum descuidado, invadiram a concentração de uma senhora já idosa, que
aparentava um registo de experiência. Após o explanar de todas as dúvidas,
atentamente escutaram profícua informação; seu pai era nem mais nem menos que
Deus e aquela era a sua casa. Informou a senhora com tamanha certeza, que lhes
preencheu a mais recôndita das dúvidas. Saíram apressados e ficaram ostentando
toda a imponência do edifício, refletindo na ignorância da avareza. Decidiram
de imediato processar Deus, na tentativa de recuperar o seu quinhão por
direito. Se Deus era pai, havia de lhes calhar qualquer coisa e não necessariamente
seria pancada.
Crónica XX
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