Sistólico
e Diastólico deambulavam por ruelas, fazendo aclarear a noite com os seus
festejos bairristas. Com goladas persistentes iam aglutinando sardinhas
perfumadas de alecrim. E, quando menos se esperava, simultaneamente quando foi
proferido o preço da sardinha, Sistólico que já largamente levava avanço à meia
dúzia, apresentou sinais de engasgamento na gulodice desenfreada. Sistólico,
sem pensar duas vezes, arremessa cinco pancadas interescapulares de mão
fechada, que levaram o seu irmão a percorrer alguns metros, sem pôr os pés no
chão. Mantendo a mesma ligeireza, segue para as compressões abdominais. Com a
sua estrutura singela, arqueava sobre as costas de Diastólico em constantes balanços,
na tentativa de chegar ao seu peito anafado. E, com todo o aparato e constantes
manobras, já se encontravam ao largo da banca das sardinhas. Após um simultâneo
sinal, partiram numa corrida desenfreada, que não pretendia passar pelo
hospital nem pela conta das sardinhas, muito menos pela esquadra. Santo António
pregou aos peixes, mas as sardinhas foram as únicas que ouviram….
Crónica XIII
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